Recentemente, tive a oportunidade de criar um cenário com peças em cerâmicas desenhadas pela artista Inge Simonis. São peças arquitetônicas, de formas puras, acumuladas de forma racional, porém revestidas de cores intensas e fortes. Sob a forma de cachepots, vasos, fruteiras, abat-jours e garden seats, suas peças fizeram sucesso em um recente evento em São Paulo, no qual eu pude conhecer e utilizar suas peças à entrada desta casa, um projeto de um grande arquiteto brasileiro, conhecido por sua arquitetura limpa, quase monástica. E eu gostei do contraste entre o espaço e estas peças…


Com a ajuda de meu companheiro Sergio Oliveira, que fez os arranjos de flores e frutas supercoloridos, ainda pintei a parede ao fundo de azul cobalto, para salientar estas formas.
Eu fiquei encantado com esta linha, que acaba de ser lançada pela 6F, uma importadora de objetos de alto padrão. A fruteira e o bowl bicolor me arrebataram…

Estas peças estavam à entrada da casa, um evento organizado pelo CEO da 6F, Marcelo Felmanas, e conseguimos criar o impacto desejado com esta explosão de cores fortes em formas elegantes.
Depois disso resolvi pesquisar o que estava sendo feito de novo neste campo, e encontrei coisas maravilhosas e surpreendentes.
Começo com uma ceramista que faz uns monstros super fofos. Sob o site Big Girl Company, ela vende não apenas estas cerâmicas lindinhas, como também fotos, prints e uma grande diversidade de produtos sob o tema. Este primeiro monstrinho, com um ninho na mão e um pássaro na cabeça me provocou ímpetos consumistas na hora.

Cada personagem tem um nome, uma história, e quem o adquire recebe um certificado de origem muito original. Vale salientar que as peças, além de fofinhas e divertidas, são extremamente bem executadas, e todas são peças únicas.



A artista abre datas para aquisição de suas obras, e eu já estou interessadíssimo em adquirir uma. Achei este trabalho lúdico, extremamente original e muito bem executado, condição fundamental para eu adquirir algo atualmente.
Dos monstrinhos para o universo super delicado, mas igualmente onírico, da artista Lena Guberman. Trabalhando sob um tema que ela denomina como “arqueologia da memória”, esta artista traduz sentimentos, lembranças e memórias em porcelanas requintadas, delicadas, poética, ligeiramente inseridas no universo surrealista.


Em seu perfil no Instagram é possível inclusive acompanhar o processo de criação e montagem destas intrincadas obras. A peça abaixo é mostrada passo a passo, um processo delicado, demorado de resultado muito poético, impossível de não se sentir tocado ao ver esta obra.

E eu me apaixonei por esta mulher com um bicho no pescoço. Tem uma violência contida, um mistério maravilhoso, e cores pensadas para criar um enredo único. Viria para meu acervo com muita vontade…

E do surrealismo delicado, passamos agora para uma hipérbole barroca, nas obras de Zemer Peled. Seu trabalho explora a beleza e a brutalidade, inspirada na natureza, abraçando temas como memória, identidade e lugar. Seu trabalho é literalmente formado por centenas, milhares de pequenas lâminas/pétalas em porcelana, resultado em esculturas e instalações de larga escala.


Esta obra é simplesmente magnífica. Parece estar em movimento, sugere, quase se impõe a ser tateada com delicadeza, um trabalho potente, criativo, visualmente arrebatador. Peled nasceu em Israel, estudo no Royal College or Art (UK), e recentes trabalhos seus foram exibidos e vendidos em importantes galerias e casas de leilão como a Sotheby´s e a Saatchi Gallery, fora presenta em museus mundo afora.


Fora a primeira peça mostrada nesta sequência, que é grande, a peça abaixo, de dimensões mais modestas, me arrebatou também. Parece uma flor alienígena, ou algo que só veríamos no mar profundo, com seus pequenos tentáculos se mexendo sob o movimento da água. Delicada, forte, um amálgama de conceitos extremamente poderoso.

Ainda neste campo do barroco visual, adorei, pirei na obra de Donté K. Hayes. Sua biografia é um desfiar de presenças e premiações nas principais exposições mundiais. Graduado summa cum laude pela Kennesaw State University, Geórgia (USA), seu trabalho, sob o tema “future artifacts”, junta e revisita tradições ancestrais respondendo a questões contemporâneas.
Influenciado pela cultura Hip Hop e pela ficção científica , usa a cerâmica como material e metáfora, construindo formas e elementos que conduzem a obras cheias de memória.


Essas obras são fascinantes. Parecem macias, uma artesania de alta qualidade, preciosa, delicada até a última fibra, e parece que vão se movimentar à menor brisa, ao menor sopro.


São obras que me lembram algo ancestral africano, ao mesmo tempo que remete às bordadeiras do nordeste brasileiro, uma mescla de influências, origens e épocas que me é muito caro. Uma obra premiada com motivos.
A pesquisa atingiu os quatro cantos do mundo (esférico, não plano…) e me gerou uma grande quantidade de imagens e de artistas por mim ainda desconhecidos, e quanto mais eu pesquiso, mais encontro criadores deste nível. Quem sabe voltamos ao tema no futuro?
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TAG: Wair de Paula, cerâmica, porcelana, Donté K. Hayes, Inge Simonis
