Casa Cor Rio abre no Jardim Botânico

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Sob as bênçãos do Cristo Redentor, a 30ª edição do Casa Cor Rio abriu suas portas no bairro do Jardim Botânico. Outra vez em um endereço emblemático da cidade, o palacete Brando Barbosa, construído em 1860 como parte da antiga Chácara da Floresta.

Casa Cor Rio abre no Jardim Botânico, em um casarão no meio da mata atlântica, fachada pintada de rosa

Mais tarde seu morador foi o sanitarista Oswaldo Cruz, (lembram nossa última reportagem sobre a Fiocruz?) até que na década de 1960 o banqueiro e arquiteto Jorge Brando Barbosa e sua mulher Odaléa a compraram. E fizeram adendos importantes incorporando antiguidades como portais, tetos, móveis e objetos de fazendas e igrejas do interior do Brasil. A Casa Rosa, com 2.500m2 e 12 mil m2 de mata Atlântica, foi doada em vida ao Museu de Arte Sacra de São Paulo por Odaléa, já que o casal não deixou herdeiros, e será transformada num centro cultural, o Instituto Brando Barbosa, após o término da mostra.

Impossível não tocar no assunto momento, a pandemia. Marcada para começar a funcionar no final de 2020, o Casa Cor sofreu alguns adiamentos em função de ajustes, mas finalmente, e graças aos esforços das empresárias Patricia Mayer e Patricia Quentel, seguirá mostrando as tendências do morar carioca até o dia 25 de abril. E dá para aproveitar de várias formas.

Pela primeira vez a mostra será híbrida, ou seja, tanto presencial quanto digital, mas é preciso estar atento aos procedimentos. As visitas presenciais devem ser pré-agendadas respeitando o limite de pessoas por ambiente, uso de máscaras e álcool gel. À distância o passeio será tão agradável quanto pois os 38 ambientes internos e externos poderão ser apreciados com calma.

Nesta edição 57 profissionais da arquitetura, decoração de interiores, design e paisagismo mostram seu talento em interferências pontuais sem, no entanto, desclassificar seu estilo eclético.

Segundo Patricia Mayer, uma das sócias da 3Plus, criadoras do evento, é uma edição especial por ser  de 30 anos.

“Nós tínhamos esse local, uma casa icônica e arejada com um posicionamento no Jardim Botânico que sempre pareceu escondida, mas inspiradora. Enfrentamos muitas dificuldades, mas diante da história do casal, da casa que tinha tantos detalhes interessantes como mármore de Carrara, lustres e peças de jacarandá, achamos que a visita atrairia justamente por esse viés e realçado pelos projetos das equipes que souberam olhar a casa com carinho e numa atitude muito sustentável, realçar o que ela tinha de mais interessante. O passeio atrai porque ao mesmo tempo em que o público vê as novidades do mercado, vê a casa em sua origem. É perfeita para comemorar os 30 anos do jeito carioca de morar, com aquele requinte e o despojamento, originalidade e ao mesmo de passear pelos jardins, os espaços externos provisoriamente instalados. Tudo que faz parte do contexto. Foi um desafio mas era preciso botar de pé o projeto. Tivemos o apoio de todos os profissionais que acreditaram na empreitada e do mercado, que nesse momento, estavam com o  mercado aquecido e com dificuldades de entrega de material. Foi uma parceria feita com muito suor e muita esperança. Eles se viraram para atender os arquitetos, para que tivéssemos essa mostra aberta e que vai ser bacana para o mercado e para o Rio também.”, conclui.

 

Um jardim com bambuzal e um banco de azulejos nas cores verde e branco em frente
Foto: Conexão Décor

Começamos com a beleza o paisagismo de Ricardo Portilho no Jardim do Café, de Lucilla Pessoa de Queiróz, que conseguiu fazer renascer o entorno de modo a parecer natural e ter estado sempre ali. O bambuzal foi revitalizado e outras espécies tropicais se juntaram às plantas da Mata Atlântica. Aliás, os espaços abertos são muitos nessa edição e uma delicia de conhecer já que estar ao ar livre é uma das grandes vantagens da casa.

Casa Cor Rio abre no Jardim Botânico, restaurante do Mauricio Nobrega

O restaurante de Mauricio Nóbrega foi instalado numa antiga garagem e se abre para o jardim com muitas mesas de dimensões generosas ao ar livre. Os azulejos dão um toque alegre e as peças de diversos estilos compõem o ambiente descontraído e alegre com a predominância do azul uma cor, por sinal, bastante usada na casa em vários matizes. Repare nos objetos usados nas prateleiras, no pequeno estar com sofá e mesinha e com a informalidade que contrastam com a imponência da casa.

Foto: Conexão Décor

É o caso também do Café de Lucilla Pessoa de Queiróz e Renata Caiafa Quintanilha, espraiado pela entrada e englobando a piscina – que já é azul – ou verde? –  e cercada de espreguiçadeiras – repetindo-se no mobiliário criado pelas arquitetas. Animando o ambiente, um móbile de utensílios divertidos criado pela ceramista Denise Stewart.

Azuis também estão nos azulejos de Noel Marinho revestindo bancos, ou mesinhas, como o cliente preferir, na varanda de Patricia Marinho e Manuèle Colas. São atemporais e podem ser usados em ambientes internos ou externos. São chiques demais e uma novidade bem-vinda para os nossos interiores. Quem ficou curioso em saber onde comprar deve ligar para as próprias arquitetas, que estão comercializando os pequenos móveis.

Foto: Conexão Décor
Foto: Conexão Décor
Foto: Conexão Décor

E tem mais espaços abertos? Claro que tem. Em outra varanda, contígua ao quarto do casal, fica a da paisagista Anna Luiza Rothier. E como ela mesma conta, é um local múltiplo onde se pode desde tomar um café da manhã até o drink relaxante da tarde. Ou receber amigos já que há mesinhas, sofás e cadeiras espalhadas pelo ambiente. As plantas tropicais forram o guarda-corpo e um pequeno chafariz com plantas aquáticas trazem um charme extra.

Surpreendente é o Jardim Secreto de Diego Raposo e Manu Simas, que fica no fundo de uma das aléas. Duas bolhas de plástico inflável, com poucos móveis, não interferem na natureza e só têm compromisso com a contemplação. São portáteis e podem ser instalados em qualquer lugar. E mais do que nunca são uma reflexão e um espelho do que estamos vivendo, cada vez mais internamente, cada vez mais intensamente, nesses tempos de distanciamento social.

Outra varanda para sonhar é a de Cynthia Berlandez Pedrosa e Raphael Pedrosa Zay, confortável, generosa, feita para sonhar e com vista para o jardim. Complementando, adoramos encontrar uma chaise Peacok.

Um dos espaços mais cariocas foi criado por um francês, o arquiteto Jean de Just em seu Jardim de Inverno, que, na verdade é de uma tropicalidade exuberante. As paredes foram cobertas de pastilhas com desenhos geométricos e de palmeiras e o verde se destaca por todos os lados, inclusive numa grande parede que forma um jardim vertical. Móveis claros e contemporâneos, soluções criativas, mistura de arte popular e luminárias de palha se fundem lindamente com o estilo da casa.

Vale destacar que o estilo eclético e neocolonial da casa inspirou muita gente que manteve sancas, vitrais, portas imponentes e detalhes de época dando-lhes uma nova configuração. Andrea Chicharo manteve boa parte da estrutura da biblioteca original, adicionando nichos e pintura clara para não pesar. E, claro, a adição de móveis contemporâneos.

Foto: Conexão Décor
Foto: Conexão Décor
Foto: Conexão Décor
Foto: Conexão Décor

O arquiteto Chicô Gouvêa mostra também toda a sua brasilidade e carioquice em sua sala de almoço. Alguns móveis foram desenhados por ele que soube aproveitar o lustre existente circundando-o por um aro de metal que faz toda a diferença. Cadeiras de Sergio Rodrigues, escultura de Krajcberg e tela de Esther Bonder completam o ambiente com a linda louça de Bordallo Pinheiro.

A cozinha de Ana Malta e Andréa Duarte é um convite à… aglomeração! Grande, 80m2, tem aquele arzinho de cozinha brasileira, gostoso e com detalhes tecnológicos que deixaram o antigo cômodo super moderno usando, ao mesmo tempo os azulejos portugueses e o piso original. Os aparelhos eletrodomésticos, como o fogão, foram envelopados para ter uma boa aparência sem perder o sentido industrial. Semana que vem tem mais. Curta aqui os ambientes, veja de perto, ou virtualmente toda a beleza aos 30 anos da mais importante mostra de decoração do Rio.

Fotos: Andre Nazareth

Período: de 2 de março a 25 de abril de 2021

Horário: de terça a sábado, das 12h às 22h; domingos e feriados, 10h às 20h.

Local: Rua Lopes Quintas, 497. Jardim Botânico.

Suzete Aché

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