A caixa, nome dado às arcas portuguesas no Brasil, foi um dos móveis básicos a casa brasileira nos séculos XVII e XVIII. Antes da difusão dos armários e cômodas, era ela quem guardava o enxoval, as roupas, as joias, as relíquias, os documentos, a prataria e até alimentos secos.
Além de sua função doméstica, as caixas eram utilizadas em viagens e travessias marítimas, funcionando como móveis portáteis e, ao mesmo tempo, como símbolos de posse e status.
Assim, as caixas representavam mobilidade e permanência, guardavam o íntimo e o essencial num mundo em constante movimento.
Inicialmente, eram construídas de forma simples, no caso do Brasil, com madeiras nativas como jacarandá-da-bahia, vinhático, peroba, pau-cetim e cedro. Recebiam ferragens reforçadas e, por vezes, eram forradas em couro ou tecido. Suas superfícies eram lisas, sem ornamentos, revelando os sistemas construtivos.


Com o tempo, surgiram exemplares mais elaborados, com frisos decorativos entalhados na frente e nas laterais — trabalhos que exigiam mão de obra especializada.
Esses modelos, mais requintados, provavelmente pertenciam a colonos abastados, que buscavam reproduzir o mobiliário da metrópole.

Observação: No AD Studio, em São Paulo, é possível encontrar diversos modelos de caixas e baús de procedências diversas, hoje ressignificados em seus usos.

Lourdes Luz e André Bispo
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