Este apartamento linear de 300 m², localizado em São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi reformado para um casal na faixa dos 60 aos 70 anos, cujos filhos já deixaram a casa, embora continuem se hospedando no imóvel durante as visitas. A mudança ocorreu dentro do próprio bairro, escolhido novamente após a venda da antiga residência. O projeto foi assinado pela arquiteta Renata Lemos, do escritório Renata Lemos Arquitetura.

Logo após a compra, Renata foi convidada para conduzir uma reforma com prazo bastante reduzido. Em vez de substituir o acervo existente por soluções padronizadas ou tendências passageiras, o projeto buscou traduzir a trajetória dos moradores por meio dos ambientes.
A intervenção concentrou-se nos elementos de maior impacto, como iluminação, layout, pintura e infraestrutura elétrica, incorporando móveis, obras de arte, objetos afetivos e referências da casa de campo da família, onde o universo equestre ocupa papel importante.

Como o cronograma previa a mudança em poucos meses, as alterações na planta foram pontuais. A principal consistiu na abertura de uma parede para integrar a área gourmet à sala, com toda a infraestrutura necessária para seu funcionamento.
Outra mudança importante foi a incorporação de um dos antigos dormitórios à suíte principal, permitindo a criação de um closet amplo e a ampliação do quarto.


Os demais ambientes passaram por intervenções mais discretas: sala, lavabo, cozinha e suíte do casal foram renovados, enquanto os outros dormitórios e banheiros receberam apenas pintura e ajustes de marcenaria.
Na cozinha, preservou-se a estrutura existente, substituindo apenas os revestimentos escuros por acabamentos mais claros.


O conceito do projeto nasceu das referências pessoais dos moradores. O acervo de móveis clássicos conduziu a uma linguagem tradicional, complementada por elementos ligados ao campo e à vida no interior.
A personalidade da moradora, ceramista e pintora, também orientou a composição cromática, marcada pelo uso de cores intensas. Seu desejo de ter uma sala em tom cereja definiu a principal escolha da paleta, equilibrada por superfícies brancas no hall e na área gourmet, conectadas por listras na mesma tonalidade. O piso original de tábuas corridas de ipê foi preservado em toda a área social.

Praticamente todo o mobiliário e os objetos pertenciam ao acervo da família. Antes da definição do projeto, a arquiteta realizou uma curadoria das peças reunidas ao longo dos anos, selecionando aquelas que permaneceriam no apartamento e destinando o excedente à casa da serra.
Parte do mobiliário foi reestofada e recebeu novos tecidos e cores para dialogar com a proposta.

As poucas aquisições incluíram tapetes, luminárias, banquetas da área gourmet, duas poltronas próximas à TV, mesas laterais, uma sofá table e uma estante desenhada sob medida ao lado do piano.



Entre as peças de acervo de maior destaque estão aparadores antigos, um móvel de múltiplas gavetas, um banco de igreja no hall e as poltronas de espaldar alto de Armando Cerello.
O conjunto também reúne exemplares contemporâneos, como as cadeiras de jantar de Jader Almeida, as banquetas Manu da área gourmet e o aparador Quilombo, de Arthur Casas.


A coleção de obras de arte pertence, em grande parte, aos próprios moradores. No hall de entrada, uma tela de Amílcar de Castro foi posicionada sobre uma parede branca para assumir protagonismo, enquanto o teto listrado e a sobreposição de tapetes reforçam a composição.
Próximo ao piano aparecem uma escultura de Veio e uma obra de Luiz Aquila, além de uma escultura de Mário Sérgio Lopomo incorporada ao projeto. Uma pintura floral produzida pela própria moradora também integra o conjunto.

A área de estar foi organizada para acomodar diferentes formas de convivência. A marcenaria da TV recebeu nichos para expor os inúmeros objetos que contam a história da família, enquanto uma mesa redonda atende às refeições cotidianas.
A iluminação foi totalmente redesenhada para criar diferentes cenários ao longo do dia, e a vista para o mar ajuda a equilibrar a presença das paredes em tom cereja.

Integrada visualmente à sala, a área gourmet foi concebida para funcionar como uma extensão natural da área social, reunindo todos os recursos necessários para cozinhar e receber convidados sem a aparência convencional desse tipo de ambiente.


Na suíte do casal, o amarelo domina a composição, refletindo a relação da moradora com as cores. Em lugar de uma solução baseada em marcenaria planejada, o ambiente privilegia móveis soltos e garimpados, complementados por uma cortina em degradê que reforça a paleta adotada.


Da concepção à execução da obra, incluindo a decoração, todo o processo foi concluído em apenas três meses. Segundo a arquiteta Renata Lemos, esse cronograma enxuto representou o maior desafio do projeto.
“Os moradores tinham muita clareza sobre o que gostavam e possuíam um repertório muito rico de móveis, objetos e obras de arte. Isso tornou as decisões mais rápidas e permitiu que todas as etapas, do desenvolvimento à execução, fossem conduzidas com bastante agilidade”, disse Renata.
Fotógrafa: Luiza Schreier
Produção visual: Rennan Scalabrin
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Celina Mello Franco
TAG: reforma, apartamento, Renata Lemos, cores marcantes, área gourmet

