Erguida no final da década de 1940 a pedido dos avós maternos da atual moradora, um casal de húngaros que chegou ao Brasil em busca de um recomeço no pós-guerra, esta casa de 650 m², localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro, passou recentemente por um cuidadoso processo de revitalização.
O projeto teve como premissa a preservação dos elementos originais da construção, aliada à incorporação de soluções contemporâneas, pensadas para atender às demandas da família atual, formada por um casal de empresários e seus dois filhos adolescentes. A intervenção é assinada pela arquiteta Natália Lemos.





Distribuída em três pavimentos, a residência abriga no térreo a sala de estar, o hall de entrada, a cozinha, a sala de jantar, o lavabo, o escritório e uma ampla varanda gourmet integrada aos espaços sociais; no andar superior, a suíte do casal; e, no subsolo, o spa.


A integração dos ambientes foi um dos principais pedidos dos clientes, que desejavam uma casa voltada para o convívio e as celebrações.


A principal intervenção foi a incorporação da varanda gourmet à arquitetura original, respeitando o volume existente por meio de uma cobertura leve em estrutura metálica branca, policarbonato e junco natural. Essa solução não apenas integra o novo espaço, como também evidencia de forma sutil as alterações realizadas na reforma.

Além disso, a antiga área de serviço, incluindo o telhado, foi demolida para permitir a integração com a cozinha. Em seu lugar, foi criada uma cobertura metálica com fechamento em vidro, conectada a um jardim de inverno, garantindo ampla iluminação natural na nova sala de jantar.
“As claraboias com fechamento de vidro no quarto e na suíte do casal já existiam e foram mantidas”, diz a arquiteta.



O conceito do projeto nasceu da valorização da história e das memórias da família, refletidas em ambientes acolhedores e autênticos. A arquiteta restaurou elementos originais e incorporou peças garimpadas, imprimindo personalidade à decoração.


A moradora participou ativamente desse processo de curadoria, contribuindo para que cada detalhe refletisse a identidade da casa.


“A decoração combina peças que já faziam parte do nosso acervo com outras que fui garimpando ao longo do tempo. Adoro buscar móveis e obras de arte que reflitam nossa personalidade, seja em sites de revenda, feiras de rua, viagens ou até na casa dos meus pais, de onde ‘empresto’ alguns itens por tempo indeterminado”, conta.




Entre os destaques estão o quadro Cacaueiro, de Januário de Oliveira, e uma obra de Djanira, herdados da família; o carrinho de chá transformado em bar; cerâmicas feitas pela própria moradora; o pufe redondo da sala, recebido de presente; e a bicicleta vintage trazida de Portugal pelo marido, restaurada e exibida na sala.




O mobiliário mistura peças do acervo pessoal com criações de designers brasileiros, como os bancos Toti, de Bernardo Figueiredo, o banquinho Mocho, de Sergio Rodrigues, a poltrona Gisele, de Aristeu Pires, e as cadeiras de jantar Helga, do Estudiobola.





A paleta de cores valoriza os materiais naturais, pedra, madeira e tijolinho aparente, em contraste com paredes, tetos e esquadrias brancos, que funcionam como pano de fundo neutro. Os pontos de cor surgem nas obras de arte, tecidos, vegetação e nos azulejos originais da cozinha, cuidadosamente restaurados.

“O maior desafio foi preservar esses azulejos. Restauramos cada peça individualmente e, em alguns trechos, encomendamos novos exemplares pintados à mão com a mesma estampa, garantindo a continuidade estética e o resgate fiel da atmosfera original”, finaliza Natália Lemos.

Projeto: Natália Lemos
Fotógrafa: Nadia Bach Produção: Andrea Brito Velho
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Celina Mello Franco
TAG: casa, anos 1940, revitalização, varanda gourmet, Natália Lemos

