Um apartamento linear de 260 m², localizado no bairro Mangabeiras, em Belo Horizonte, passou por uma reforma completa para atender às necessidades de um casal jovem com filhos gêmeos de aproximadamente um ano. Comprado já com a intenção de ser totalmente transformado, o imóvel teve todos os ambientes renovados em uma obra concluída ao longo de cerca de 14 meses, entre desenvolvimento, aprovação e execução do projeto, incluindo a etapa de decoração. A reforma foi assinado pela arquiteta Ila Gaudencio.


A reforma promoveu uma reconfiguração quase integral da planta, com reorganização dos fluxos e redistribuição dos ambientes. A suíte master foi transferida para outra área do apartamento, permitindo a criação de uma nova suíte em seu local original.

Também foi incorporado um escritório, enquanto a área social passou a reunir cozinha e sala em um único espaço, ampliando a integração e favorecendo o uso cotidiano da casa.

O conceito do projeto parte da valorização da história do imóvel e de referências à década de 1970. O novo piso em tábuas corridas de madeira Canela Imperial de demolição, aplicado nas áreas social e íntima, tornou-se o elemento condutor da proposta, orientando a escolha de materiais, cores e acabamentos.


Na cozinha, uma ilha central foi combinada a uma releitura contemporânea de uma lembrança afetiva dos moradores: a cozinha da avó do cliente, reinterpretada com inspiração vintage.

A decoração segue uma linguagem minimalista, baseada em tons neutros e materiais naturais. O branco predomina nas paredes, no acabamento cimentício da sala e no tapete de chenille que delimita a área de estar, criando uma base contínua que destaca as nuances da madeira presente no piso e na marcenaria.
Desenvolvida pelo escritório em microtextura e freijó, a marcenaria recebeu uma tonalidade exclusiva inspirada na madeira do piso, reforçando a unidade visual dos ambientes.


Na área social, o layout foi concebido para favorecer a convivência, estabelecendo uma conexão direta entre sala e cozinha.
Um banco em madeira braúna desempenha diferentes funções, servindo tanto como assento quanto como apoio, além de contribuir para aproximar os moradores e convidados durante o uso dos ambientes.


A seleção do mobiliário reúne peças do acervo da família e novas aquisições. Entre os itens preservados estão o sofá modular Togo, criado por Michel Ducaroy para a Ligne Roset e herdado pela família, as cadeiras Cesca, de Marcel Breuer, e a mesa de jantar da italiana Maxalto.

O projeto também incorporou um aparador desenhado pela própria arquiteta, além da poltrona May, das mesas de centro Teca, de Jader Almeida, e do conjunto de vasos orgânicos Terra, de Domingos Tótora.
“A curadoria foi guiada pelo estilo de vida dos moradores, que valorizam receber e cozinhar. As escolhas priorizam conforto, integração e convivência, com peças que permitem interação constante entre os ambientes, mantendo coerência estética e material“, afirma Ila Gaudêncio.


“O principal desafio deste projeto foi adaptar um apartamento antigo às novas demandas dos clientes, que pediam soluções mais modernas e funcionais para a rotina. Para isso, foi preciso refazer completamente as infraestruturas elétrica e hidráulica e repensar a planta, reorganizando os espaços para incluir um quarto adicional sem comprometer a qualidade dos ambientes“, finaliza a arquiteta Ila Gaudêncio.
Projeto: Ila Gaudencio
Fotógrafo: Estudio NY 18
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Celina Mello Franco
TAG: reforma completa, minimalismo, Ila Gaudencio
