Na foto fachada sóbria da Basílica de Santo Spirito
Quem olha a fachada sóbria da Basílica de Santo Spirito não imagina as obras de arte que seu interior abriga | Fotografia: Divulgação

Florença pelos olhos da cantora Luzia Dvorek

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Por Paula Acosta, correspondente de Milão

Em 2002, a cantora Luzia Dvorek fugiu de um castelo, na região da Toscana, na Itália. Convidada para se apresentar em uma nobre propriedade próxima de Arezzo, assim que terminou o concerto, ela não pensou duas vezes: com alguns participantes do evento, escapou na direção da fascinante Florença, a cerca de 80 km do local do show. Foi amor à primeira vista.


Não podíamos perder a oportunidade de conhecer o berço do Renascimento italiano. Estávamos ali tão perto!”, relembra, enquanto caminhamos, 24 anos depois, pelas ruas da cidade que continua a encantá-la.

na foto vista de um castelo. o céu é azul
O Palazzo Vecchio (Palácio Velho), sede da prefeitura, é datado de 1299 e foi projetado por Arnolfo di Cambio, o mesmo arquiteto do Duomo | Fotografia: Divulgação

O primeiro impacto ao entrar no centro de Florença, Luzia não vai esquecer jamais. Passeava distraída quando, a sua frente, despontou o Duomo – a catedral de Santa Maria del Fiore.

A majestosa igreja, projetada por Arnolfo di Cambio e cuja construção foi iniciada em 1296, recebeu a consagração do papa Eugênio IV apenas em 1436, ano em que ficou pronta a sua inconfundível cúpula. A maior abóbada do mundo em alvenaria, erguida com pedra e tijolos sobre base octogonal, leva a assinatura de Filippo Brunelleschi, considerado o fundador da arquitetura renascentista.

Mas, para se chegar à atual fachada em estilo neogótico, foi necessário ainda mais tempo: a obra-prima de Emilio De Fabris, substituindo as intervenções seguidas à demolição do frontispício medieval, foi inaugurada apenas em 1887. A riqueza cromática externa de Santa Maria del Fiore seduz: mármores branco, verde e vermelho revestem as paredes em uma dança de figuras geométricas e flores estilizadas.


Fiquei comovida com a beleza e a grandiosidade do Duomo. Naquele dia, infelizmente, não pude visitá-lo porque, na hora em que cheguei, já estava fechado”, recorda.

na foto mulher branca e com óculos escuros e um castelo atrás. céu azul com nuvens
Luzia, em foto do seu arquivo pessoal, diante da atual fachada da catedral, desenhada por Emilio De Fabris e inaugurada 591 anos depois do início da construção da igreja | Fotografia: Divulgação
na foto a cúpula do Duomo de Florença
A inconfundível cúpula do Duomo de Florença é de autoria de Filippo Brunelleschi | Fotografia: Divulgação

De lá para cá, embora more em São Paulo, Luzia se tornou praticamente uma florentina. Quase todos os anos, ela passa uma temporada na capital da Toscana com o companheiro, o cantor e compositor, paulistano como ela, Tomaz Di Cunto, conhecido como Toco, artista com uma sólida carreira na Itália. E, quase para compensar a visita que não pôde fazer da primeira vez, ela não perde a mínima oportunidade de entrar na catedral. O mais curioso é que a emoção do encontro original permanece intacta.

Às vezes eu estou caminhando e, de repente, dou de cara com o Duomo: sabe que eu ainda levo um susto? Não consigo me acostumar com tanta maravilha. E isso é ótimo: quando a gente não se acostuma com a beleza, ela continua a nos surpreender. É como se eu o visse sempre pela primeira vez”, conta.

Filha da diretora teatral Eugênia Thereza de Andrade e do artista plástico Silvio Dvorek, irmã da atriz Mika Lins, é natural que outro lugar que faça seus olhos brilharem seja a Galeria Uffizi.

É um museu muito famoso, mas nunca é demais mencioná-lo. Eu acho que todo mundo deveria ter a oportunidade de ver de perto as obras incríveis que estão lá, como as de Botticelli”, afirma.

na foto uma fonte com a estátua de um homem
Detalhe da Fonte de Netuno, um dos símbolos de Florença: a estátua é uma criação de Bartolomeo Ammannati | Fotografia: Divulgação

Mas a conexão de Luzia com Florença não se limita à monumentalidade. Ela também encontra inspiração na harmonia urbana, na escala humana das ruas, na integração entre arte e cotidiano, mesmo com a pressão crescente do turismo.

Nos primeiros dez meses de 2025, foram registradas 4,6 milhões de chegadas e  9,7 milhões de presenças, segundo dados do Centro de Estudos Turísticos local. Pessoas vindas de várias partes do planeta passeiam diariamente pelo centro histórico eleito Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco e atravessado pelo rio Arno. Um de seus cartões-postais é a famosa Ponte Vecchio (Ponte Velha).

na foto céu azul e o rio Arno que atravessa a capital da Toscana. No fundo, a Ponte Vecchio.
O rio Arno atravessa a capital da Toscana. No fundo, a Ponte Vecchio | Fotografia: Divulgação

Para Luzia, a Praça Santo Spirito, no bairro do Oltrarno (ou seja, além do Arno), virou uma espécie de refúgio. Com calma, ela escolhe frutas, verduras e flores na feirinha aos sábados, garimpa curiosidades entre os vendedores de itens retrô e entra na basílica homônima à praça, projetada por Brunelleschi.

na foto uma feira com alimentos e mulher branca de óculos escuros olhando os produtos
Comprar frutas e verduras na feira de Piazza Santo Spirito é um verdadeiro prazer para Luzia, que adora cozinhar | Fotografia: Divulgação

A fachada austera é um convite a descobrir o sugestivo interior, revelado pela luz que atravessa os vitrais: ao adentrar os corredores formados por majestosas colunas, é possível contemplar, além do silêncio, tesouros, como a Anunciação, de Pietro del Donzello, e o crucifixo realizado por um jovem Michelangelo Buonarroti, posicionado na sacristia. Florença é isso também: surpresa, contraste, recolhimento.

Na foto fachada sóbria da Basílica de Santo Spirito
Quem olha a fachada sóbria da Basílica de Santo Spirito não imagina as obras de arte que seu interior abriga | Fotografia: Divulgação

Luzia adora portas. Em vários momentos, paramos para admirar a entrada de residências, lojas ou igrejas – como a de Santa Maria del Carmine, que abriga a capela Brancacci, famosa por seus afrescos renascentistas. É a sua forma de viver a cidade de corpo e alma.

Presença com consciência. Assim a beleza não vira apenas paisagem. Ela continua nos transformando”, completa.

na foto mulher branca, de roupa branca em frente à Igreja de Santa Maria del CarmineIgreja de Santa Maria del Carmine: séculos de história e a famosa capela Brancacci que maravilham Luzia
Igreja de Santa Maria del Carmine: séculos de história e a famosa capela Brancacci que maravilham Luzia | Fotografia: Divulgação
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Fotografia: Divulgação

E a propósito de passagens, a carreira de Luzia também está atravessando um momento especial. A cantora está atualmente mergulhada em um projeto que conecta Brasil e Itália: uma homenagem à Bahia, terra natal de sua mãe, realizada com o produtor milanês Gerardo Frisina e participação de Toco, para a gravadora Schema Records.

Depois do single “Meu Canto”, o mais recente lançamento é a sincopada releitura do clássico “A Lenda do Abaeté”, de Dorival Caymmi (1959). Beleza que ultrapassa o tempo e as fronteiras.

Paula Acosta / Comunicazione carioca

 

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TAG: Luzia Dvorek, Toscana, Florença

 

 

 

 

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