Esta semana, depois de quase quatro anos, meu inquilino português partiu. Foi assumir um novo posto diplomático em Washington, depois de seu primeiro pouso profissional em São Paulo, onde vive a maior colônia portuguesa fora da terrinha.

E eis que chega seu substituto, o novo cônsul-geral adjunto, a hospedar-se em meu apartamento nos Jardins. Simpático, Jorge achou que aterrissava em um flat do Airbnb, pois me liga e pergunta pelos lençóis!!! Saio correndo para levar roupa de cama e banho para o novo português.

A verdade é que hoje foi sábado, e ele sem querer interrompeu minha leitura tranquila das revistas impressas importadas de decoração – trabalho e lazer das antigas ao mesmo tempo. No caso, a tentativa era ver e ler a portuguesa Elle Decoration (?!?).

Meu Deus! O universo pandêmico conspira até contra aqueles privilegiados que se dão alguns minutos de calma,  em casa e sem máscara, porque apenas ao lado do fiel escudeiro canino Gabriel, que insiste em destroçar as revistas que encontra no caminho, especialmente as inglesas – o que deve ser típico de um buldogue francês, e eu não sabia…

Que pândega tentar entender a nossa língua sob sua origem verdadeira, e outra ótica. São outros termos, outras expressões, um pensamento para nós invertido, mas que faz todo o sentido para os irmãos mais velhos e europeus que nos ensinaram o idioma em comum – ou quase.

De cara leio no índice sobre uma casa de banho, em vez de banheiro, e aprendo que Copenhaga (e não Copenhague) é a capital da Dinamarca. E que de “facto”,  o verbo no infinitivo precedido da preposição “a” é um must: a pensar, a fazer, a desenhar, a despertar…

Deduzo que “fora de portas” quer dizer “no exterior”; que “equipa” é o que chamamos de equipe; que “candeeiro de suspensão” é lustre, o de parede é a nossa arandela, e o de mesa é o nosso abajur (na França, abat-jour é o que chamamos de cúpula, vai entender!).

Lá em Portugal, no entanto, também a mesa de cabeceira nunca foi o politicamente incorreto criado-mudo, graças a Deus, que explica o inexplicável. Mosaico hidráulico é nosso ladrilho idem… e “boémio” é o que sou ao escrever às noites de sábado as crônicas de domingo, para desespero de minha editora que aguarda estas mal traçadas linhas a tentar desvendar os quês e porquês da casa ressignificada e da vida reinventada no pós-pandemia, como se ela tivesse um fim.

Enfim, a tergiversar sobre o tema, digo que a vida anda chata, e que o nosso Português, ou o “meu Português” não é o mesmo. Sou apenas mais um a tentar entender o que está a acontecer, enquanto organizo meu cenário para uma próxima Live, inexorável forma de se comunicar com o mundo enquanto houver amanhã.

 

Sergio Zobaran

 

 

 

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