Meu pai dizia que “três mudanças equivalem a um incêndio”. Já fiz sete completas nos meus 16 anos de São Paulo, e outras tantas pela metade, mas essas nem conto, até porque não vale a pena contar algumas histórias – apenas por serem longas…

A mudança da vez foi ‘toda programada, escalonada, organizada’: estofados foram embora antes dela para o tapeceiro (= estofador); tapetes foram recolhidos pela loja para lavar; móveis grandes e bons que não caberiam no apartamento moderno, com menos da metade da metragem do anterior, tomaram rumo para um showroom vintage.

Meia-dúzia de peças ainda foi vendida antes de tudo, e outra meia-dúzia foi de presente para casas de duas amigas. O que era importante e volumoso parecia resolvido! E o resto? Arquivos em profusão foram revolvidos e viraram memórias divertidas no Instagram, e papéis eliminados viraram lixo seletivo. Objetos da casa também postados  geraram elogios e alguns viraram moeda, ou promessa.

Metade dos livros já tinha ido para colaboradores interessados e, com o espírito de solidariedade reinante na pandemia, foi fácil doar roupas e malas para campanhas públicas, e peças para pessoas próximas. O fogão também, já que um cooktop me aguardava no novo lar. Idem a poltrona-abrigo pelos primeiros 100 dias de confinamento, carente de custosas melhorias: forração urgente e preenchimento de plumas. Foram embora…

Mas e tudo o que estava na garagem fechada, acúmulos passados, e ainda sobrava? E os nove lustres até então indispensáveis porque só o décimo iria para a casa nova? Pensa: algo poderia ir para os filhos? Não, porque eles já têm o que precisam e só acham graça nas mesmas coisas que nós – e que decidimos não dar ainda.

Mas com razão, afinal quem iria querer a cama de viúva do quarto de hóspedes, e o armário-bar Art Déco que só a arquiteta que fez o décor e eu gostávamos. E as cortinas de veludo? Ninguém se candidatou. E nem as entidades que aceitam doações estão fazendo coleta nesse período!

Resultado: o que restou no lugar do carro do predinho cult foi para um depósito numa casa alugada. Algo mais na mudança quase sem móveis? Sim, as montanhas de caixas com toda a tralha, de roupas a papéis! Elas estão por todo lado e, apesar de identificadas (‘sala’, ‘quarto‘, ‘cozinha’), parecem não acabar nunca e estarem ali arraigadas…

É sempre assim. Tudo passa, mas demora… e se a vontade da arrumação final chegar, tem trabalho para algumas semanas. Período para refletir se realmente precisamos carregar tanta coisa nessa vida, além da nossa integridade hoje ameaçada e daquilo de que realmente precisamos – o mínimo necessário (proporcional a cada pessoa) para nosso conforto e acolhimento.

Como a gente muda, não é mesmo?

Sergio Zobaran

 

 

Imagem de capa: ArmazeAqui

 

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