Denilson Machado abre as portas de seu apartamento para o Conexão Décor.

 

“Eu jamais imaginaria que da minha infância humilde eu teria uma casa como esta”.

Foi com esta a frase que um dos mais renomados fotógrafos de arquitetura e interiores do Brasil, Denilson Machado, iniciou a entrevista exclusiva concedida ao Conexão Décor, ao abrir as portas de seu apartamento, e apresentar seu lar.

Conquista com muita determinação e amor a profissão, que no decorrer de seus 17 anos de carreira, com dez livros publicados, o fotógrafo conquistou este espaço mais parecido com um refúgio.  

 

 

Apartamento ou galeria?

Para a concretização deste sonho, Denilson contou com a ajuda de seu amigo, um dos maiores nomes de nossa arquitetura, Guilherme Torres.

O apartamento de 122 m2 mais parece uma galeria de arte.

Foto: Denilson Machado

Mesa Bank, assinada por Jader Almeida que abriga seus 10 livros publicados.

 

Aliás, este foi o ponto de partida e um dos pedidos de Denilson, abrir espaço para abrigar parte de sua coleção de obras de artes, garimpadas a dedo em suas viagens pelo mundo, realizadas a trabalho.

“Quero paredes para pendurar minhas obras”.

Para atendê-lo, quatro quartos foram reduzidos a dois, onde um se transformou em closet e o outro foi aberto para a sala, deixando-a ampla e aconchegante e claro, com muito espaço na parede para abraçar suas artes.

Sofa Otto, assinado por Guilherme Torres – da Nos Furniture.

 

  O lavabo foi excluído do projeto original e a cozinha reduzida ganhando o suporte de uma ampla sala de jantar.

“Tenho mais obras de arte do que paredes em meu apartamento”, reforça o fotógrafo que afirma: “Sou um colecionador”.    

 

Foto: Denilson Machado

 

  “Tenho obras de artistas contemporâneos importantes na minha coleção, que foi iniciada em 2005, junto com minha pesquisa para me tornar um bom fotógrafo. Nomes importantes fazem parte de minha coleção, como as contemporâneas Adriana Varejão e Beatriz Milhazes, e Sandra Cinto e Rivane Neuenschwander, duas artistas importantíssimas e que admiro demais. Tenho peças de fotógrafos que foram referência na construção de minha profissão e que me influenciaram muito, os profissionais Steve McCurry e Elliot Erwitt. Além de obras de alguns artistas amigos, mas que já despontaram no mercado de artes, como o Daniel Lannes, Pedro Varela, Gustavo Speridião e Bruno Miguel”, conta com orgulho o fotógrafo, artista e colecionador.  

 

Cadeiras Geraldo Barros.

 

Mesa Jet, assinada por Guilherme Torres.

 

O rosa e o azul que representam

 Coincidência ou não, os objetos reunidos nos últimos cinco anos de viagens do fotógrafo são predominantemente nas cores rosa e azul, suas preferidas e também, como ele faz questão de ressaltar, as preferidas de sua avó.

Algumas peças brancas e pretas compõem o cenário.

 

  “O mobiliário escolhi a dedo, claro, optando pelos arquitetos que mais admiro, como é o caso de meus amigos e clientes, Guilherme Torres e Jader Almeida”.

Cadeira Patricia Urquiola.

 

“O que você tem a me dizer” – Projeto que os amigos participam quando visitam Denilson.

 

  “A cadeira Tenreiro era um objeto de desejo desde que me entendo como fotógrafo de interiores. Aprendi a admirar o trabalho de Joaquim Tenreiro, com Janete Costa, e posso afirmar, ele não fazia móveis, e sim, arte, como pode ser observada nas delicadas curvas da cadeira que fica posicionada junto às obras de arte e NINGUÉM senta”, comenta o profissional.  

 

Cadeira Curva, de Joaquim Tenreiro. Acima, Jarbas Lopes, Arthur Piza, Marcelo Moscheta.

  “Aqui a poltrona Citè, do genial Jean Pouvré, uma das minhas maiores referências. Essa poltrona eu ganhei, quando fiz uma campanha mundial para a Vitra – umas das maiores e melhores fábricas de móveis do mundo”.  

  Outra peça considerada o ‘xodó’ de Denilson é o Banco Magrini, de Sergio Rodrigues, uma peça vintage produzida em Jacarandá.

Banco Magrini, de Sergio Rodrigues e no pilar de concreto, a obra colorida de Burle Marx pendurada.

 

Arte até no banheiro. No reflexo do espelho, obra de Nelson Felix e Brigida Baltar. Ao fundo, a coleção de patinhos de borracha.

 

Frontão em Dekton da Cosentino Brasil.

 

Cozinha com armários na cor rosa da Lacca, bancada e frontão em Dekton da Consentino Brasil.

   

Denilson nos conta que a roupa de cama e a louça também são especiais.

“Bordei poesias nas fronhas, de poetas que me influenciaram, para eu sonhar com poesia. E ainda fiz um aparelho de jantar, aqui se come o pão e a palavra. Nos pratos fundos frases de escritores importantes, você escolhe se quer comer na Cora Coralina ou no Fernando Pessoa”. 

Achamos isso maravilhoso!

  E para encerrar esta ‘mostra’ que é o seu apartamento, Denilson Machado ressalta uma das obras de arte que ele diz amar, porque reflete a “sua cara”, a caixa de areia de artista Milton Marques, que sempre “apaga” o que está escrito: Esquece-te de lembrar!

 

Denilson Machado e ao fundo, tela de Daniel Lannes, ganhador do prêmio Marco Antonio Vilaça 2017, o mais importante prêmio de artes brasileiro,

 

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Celina Mello Franco

Liliane Abreu    

Tag: Denilson Machado