Vale a pena conferir em Lisboa, até 26 de Fevereiro de 2017 a Exposição de Amadeo de Souza-Cardoso no MNAC;

 

Amadeo de Souza-Cardoso nasceu a 14 de Novembro de 1887, em Amarante, Portugal. Aos 18 anos vem para Lisboa e no ano seguinte parte para Paris para se dedicar ao estudo das artes.

Se no início se juntou aos artistas portugueses como Eduardo Viana, por exemplo, em 1909 começa a frequentar outros meios e conhece o pintor italiano Amadeo Modigliani, bem como Lúcia Pecetto com quem viria a casar em Portugal em 1914.

Amadeo mergulha plenamente nas pesquisas do modernismo internacional em desenvolvimento em Paris. É nesse contexto de investigação formal que, em 1910, se entusiasma com as pinturas dos “primitivos” flamengos e aprofunda a amizade com Modigliani, com quem chega a expor.

   

 

Entretanto, o seu círculo de amizades e conhecimentos estende-se e internacionaliza-se. Conhece vários artistas como Walter Pach, Sonia e Robert Delaunay, Umberto Brunelleschi e Diego Rivera, entre outros.

 

Os contactos que estabelece nestes anos permitir-lhe-ão participar numa série de importantes exposições de grupo, entre as quais a célebre Exposição Internacional de Arte Moderna de 1913, também conhecida como Armory Show, que mostraria pela primeira vez a moderna arte europeia nos EUA (Nova Iorque, Chicago e Boston). Amadeo apresenta um total de oito obras, ao lado de Braque, Matisse, Duchamp, Gleizes, Herbin e Segonzac.

Após uma breve passagem por Barcelona em que visita o seu amigo, escultor, León Solá e conhece Gaudí, Amadeo regressa a Portugal, onde é surpreendido pelo deflagrar da Guerra que o impede de regressar a Paris.

A estadia forçada de Amadeo em Portugal não foi sinônimo de apatia criativa. Se ainda em Paris a sua obra explorara os domínios da abstração e, depois, enveredara por vias de compromisso expressionismo, o exílio em Portugal acabará por constituir-se como um momento de plena maturação da sua pintura, que se aproximará então de muitas das questões equacionadas no domínio da colagem.

 

Em 1915, o isolamento de Amadeo de Souza-Cardoso em Amarante foi quebrado pelo contacto com Sonia e Robert Delaunay, que a Guerra fizera também vir para Portugal. Por esta via, o círculo das suas relações recupera Eduardo Viana e alarga-se a Almada Negreiros. Através de Almada, Amadeo entra em contacto com o grupo dos “Futuristaslisboetas, reunidos inicialmente em torno da revista Orpheu.

Em Dezembro de 1916, Amadeo promoveu, primeiro no Porto e depois em Lisboa, uma mostra em que reuniu sob o título de Abstraccionismo 114 pinturas. O desfasamento da cultura estética nacional impediu uma receção favorável das propostas pictóricas de Amadeo, ganhando os certames uma aura de escândalo (coroada no limite pela agressão física ao pintor).

Neste contexto importa destacar o protagonismo de Almada Negreiros e Fernando Pessoa na sua defesa pública. Ambos o reconheceram como o pintor mais significativo do seu tempo.

Amadeo de Souza‑Cardoso morreu em Espinho, em Outubro de 1918, vítima da epidemia de pneumónica que deflagrou nesse ano. Tinha apenas 30 anos.

 

www.museuartecontemporanea.pt/pt/programacao/1804

www.amadeosouza-cardoso.pt/

Amadeo de Souza-Cardoso

Helena Antunes

 

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